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  4/02/2010
 
   
O Senador Magno Malta (PR-ES) relatou na última quarta-feira, 3, a visita que fez, juntamente com integrantes da CPI da Pedofilia, à cidade goiana de Luziânia, para reunião com o secretário de Segurança Pública do estado de Goiás e o delegado responsável pela investigação do desaparecimento de jovens naquele município. O senador disse que disponibilizou todos os instrumentos da CPI que possam auxiliar a investigação, como a rapidez na quebra de sigilo telefônico.

"A polícia está no rumo certo. As famílias estão angustiadas, mas tem informações que não podem ser divulgadas. Não existem indícios de que alguma criança esteja morta. A investigação está nas mãos de pessoas experientes. Não tenho dúvida que isso será elucidado daqui a pouco", ressaltou Malta.

A Senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) disse, em aparte, que as famílias se sentiram mais seguras ao ver que senadores se interessaram pelo caso e estão ajudando. Ela pediu a Magno Malta que leve uma palavra tranquilizadora aos familiares dos desaparecidos quando vierem à Câmara dos Deputados. O Senador Renato Casagrande (PSB-ES), que fez parte do grupo que foi a Luziânia, disse que os desaparecimentos não parecem ter envolvido violência física. O Senador Cristovam Buarque (PDT-DF) destacou a liderança de Malta na luta contra a pedofilia.

Malta anunciou que vai apresentar um projeto de lei para que a gravação de um crime em sistemas de vídeo-monitoramento possa configurar flagrante, impedindo o que a fuga beneficie o criminoso.

O Senador também anunciou ter deflagrado uma guerra contra o abuso nos preços cobrados por alimentos em aeroportos.


Leia a íntegra do discurso do Senador Magno Malta


O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sou do PR, Sr. Presidente, com todo o respeito e carinho que tenho pelo PRB e também pelo PMDB, pelo PSC, muito, e também pelo PV, pelo PSDB, pelo PTB...

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a Senadora Lúcia Vânia fez uma referência à nossa ida, hoje à tarde, como anunciei ontem, a Luziânia, na companhia do Senador Demóstenes Torres, relator dessa CPI; do Senador Romeu Tuma, vice-presidente da CPI; da Senadora Lúcia Vânia, que é Senadora do Estado; do Senador José Nery, que é membro da CPI; e do Senador Renato Casagrande, que hoje fez um belo relatório a respeito de mudanças no Código de Processo Penal brasileiro, e fomos a Luziânia.

Na verdade, ontem, quando falei ao Secretário de Segurança, dizia: a CPI da Pedofilia vai lá emprestar seus instrumentos. Para que o Brasil saiba, uma CPI nacional tem poder de Justiça e poder de polícia. E, com atuação ampla na CPI da Pedofilia, assinamos alguns termos de ajuste de conduta de muito valor para o País, inclusive com as operadoras de telefonia no Brasil. Esse termo de ajuste de conduta versa, Senadora Lúcia Vânia, sobre um dos pontos mais importantes: que, em havendo risco iminente de vida de criança, a quebra de sigilo se dê em apenas duas horas; e, em qualquer situação que envolva criança, em 24 horas. Esse é um poder que o inquérito policial não tem, porque ainda vai depender da Justiça e do Ministério Público.

Então, fui lá dizer que esses instrumentos estão à disposição para que façamos isso de maneira muito rápida, dada a necessidade. Ouvi o Secretário de Segurança e os delegados do caso. Infelizmente, esse caso aconteceu em Goiás, mas, felizmente, lá existe uma polícia que está fazendo um trabalho bonito. O trabalho da polícia de Goiás está no rumo certo. Não sou um doutor em investigação, mas tenho tentado militar minha vida no combate ao crime e, acima de tudo, num processo investigativo. E digo ao Brasil: não tem que fazer estardalhaço, não tem que achar que tem que envolver a polícia federal. A polícia de Goiás está no caminho certo. É uma polícia com uma dificuldade que todas as outras têm no Brasil, mas bem aparelhada; já desvendou casos tremendos na época mesmo que o Senador Demóstenes foi Secretário de Segurança; é uma polícia que não tem deixado para trás esses casos absolutamente emblemáticos. E, nos vieses que propõe essa investigação - são desaparecimentos súbitos que envolvem crianças e poucos adultos; o adulto tem apenas 18 anos de idade -, Sr. Presidente, há o viés do tráfico de órgãos, o viés do trabalho escravo e até o do abuso sexual. Em todos esses ramos, a polícia, Senador Tuma, está atuando. Lá estivemos e satisfeitos saímos.

É verdade que as famílias, emocionadas, querem respostas imediatamente, mas não dá para, em um processo investigativo, responder-se rapidamente. E há informações de um inquérito investigativo que não se podem passar nem para a polícia para não estragar uma investigação que pode dar, quem sabe, em uma quadrilha, em um grupo organizado. Queria Deus que não; que os crimes sejam individualizados e que, por ironia do destino, tenham acontecido ao mesmo tempo. Mas e se for? Então, estão certos os policiais. O que nós temos de fazer é tranquilizar as famílias e dizer que está em boas mãos. Tive uma informação da Presidente da CPI da Câmara de que essas famílias virão à Câmara amanhã. Irei até lá dar uma palavra para as famílias, para as mães. Mas penso até que nem é de bom tom, porque elas ficam, assim, querendo ir ao Ministro da Justiça, e o Ministro da Justiça nada pode fazer em um momento como esse, até porque não é crime federal.

Ainda não se detectou que alguém está do outro lado da fronteira, que foi visto em Dourados e agora está do outro lado da fronteira. Não! Não tem nada disso! Até porque, o Romeu Tuma Filho - seu filho -, que é desse setor de direitos humanos e de pessoas desaparecidas do Ministério da Justiça, colocou-se à disposição da investigação, caso a investigação queira requerer esse trabalho referente a tráfico de pessoas.

Então, Senadora Lúcia Vânia, a polícia do seu Estado, a Secretaria de Segurança está no rumo certo. Cabe a nós tranquilizar. Eu sei que a mídia fica fustigando...

A Srª Lúcia Vânia (PSDB - GO) - Concede-me um aparte, Senador Magno Malta?

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - ... fica querendo falar uma coisa, fala outra, e quer respostas para dar. As famílias estão angustiadas. Todos estamos angustiados. Mas há informações que não se podem passar. E o que nós ouvimos lá, Senador Tuma, é que a investigação caminha em bom tom, com pessoas experientes. Até porque, lá há aquele primeiro delegado que falou. Eu lidei com ele, quando a CPI esteve em Niquelândia, e sei da competência dele. Isso será elucidado daqui a pouco. Não tenho dúvida disso. Em havendo necessidade, certamente a Polícia Federal participará. Eu não fiz nada hoje na CPI da Pedofilia sem a presença do Ministério Público. Penso que a presença do Gaeco é absolutamente importante, mas isso quem tem de dizer é o comandante do inquérito, é a policia de Goiás. Se ela sentir necessidade, ela chama, ela pede. Agora, se ficarmos especulando - bota a Policia Federal, chama a CPI, chama não sei quem -, nós não colaboraremos em nada.

Com o que ouvi, fiquei satisfeito. Acho que chegaremos a bom termo, a um porto seguro. Não existe indício de que haja crianças mortas. Não existem indícios disso. Aí o repórter me disse: mas também não há indícios de que estão vivas.

Olha, se não há indício de que estão mortas, o indício de que estão vivas é melhor ainda. Então, fiquei satisfeito com o que vi lá em Luziânia, e a CPI está aqui a postos. Na hora em que nos chamarem, principalmente na questão da quebra do sigilo, pelo caráter imediato que a CPI pode imprimir, certamente vamos colaborar.

Ouço o aparte de V. Exª.

A Srª Lúcia Vânia (PSDB - GO) - Senador Magno Malta, após a reunião, estive com as famílias e pude sentir o alívio que eles estão tendo pela nossa presença lá. Há essa insegurança a que V. Exª se refere, em função da falta de informação - que não pode ser dada porque a investigação está sendo feita em caráter sigiloso.

Mas eles se sentem mais seguros na medida em que veem que há pessoas que estão acompanhando, vendo e conversando com eles. Portanto, eu acredito que seria muito bom se V. Exª e os demais Senadores que compõem a CPI pudessem ter uma palavra com essas famílias amanhã, dando a elas a tranquilidade de que as investigações estão sendo feitas como devem ser feitas e que a CPI estará a postos para ajudar a polícia nessa emergência se necessário for. Muito obrigada.

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Obrigado a V. Exª pela colaboração.

O Sr. Renato Casagrande (Bloco/PSB - ES) - V. Exª poderia me conceder um aparte também, Senador Magno Malta?

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Já concedo, Senador Renato Casagrande.

V. Exª soma ao meu pronunciamento, até porque é do Estado, conhece o seu Estado, conhece as regiões, e V. Exª ouviu o que também queria ouvir dos policiais do seu Estado. Mas fiquei muito feliz com a referência das pessoas lá fora com relação ao trabalho da CPI da Pedofilia, sentindo-se seguras por estarmos juntos.

É interessante que, no ano passado, só se falou de coisa ruim da vida do Senado, só se execrou o Senado, e ninguém teve a grandeza de falar dessa CPI, do trabalho prestado por essa CPI à Nação brasileira e daquilo que foi resgatado da CPMI de 2003, quando se aprovaram coisas absolutamente importantes, que foram resgatadas, e V. Exª participou desse processo, desse trabalho.

Senador Renato Casagrande, que esteve conosco lá, eu dizia, no começo do meu pronunciamento - até penso que movido pelo belo relatório que fez hoje, pela manhã, na Comissão de Constituição e Justiça, nesses dias todos, nesses meses todos, ou mais de ano, trabalhando na reforma do Código de Processo Penal Brasileiro -, que a companhia de V. Exª, estarmos juntos para ouvir o que nós ouvimos foi muito importante.

Eu concedo a V. Exª um aparte.

O Sr. Renato Casagrande (Bloco/PSB - ES) - Muito obrigado, Senador Magno Malta. Parabenizo-o pelo pronunciamento, pelo trabalho à frente da CPI da Pedofilia, que tem andado o Brasil fazendo um trabalho importante e interessante, representando o Senado e a população brasileira. O relatório que fiz hoje na Comissão de Constituição e Justiça foi um relatório que proporcionou um passo adiante na aprovação do Código de Processo Penal. De fato, em 2008, constituímos uma comissão externa de juristas, que elaborou o anteprojeto. O Presidente Sarney assinou como autor do projeto e constituiu a Comissão especial. Fui o Relator; o Senador Demóstenes Torres foi o Presidente da Comissão. Aprovamos na Comissão especial e hoje apresentamos o relatório na Comissão de Constituição e Justiça. O Código de Processo Penal é o principal instrumento para que a gente possa fazer justiça, diminuir a impunidade. Hoje é um instrumento da impunidade, infelizmente, porque protela muito o processo penal.

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Sem dúvida. Está mais a serviço do crime do que do cidadão.

O Sr. Renato Casagrande (Bloco/PSB - ES) - Está mais a serviço do crime do que do cidadão. Estamos apresentando uma proposta que estará muito mais a serviço da comunidade, da sociedade, do combate à impunidade, que é a causa do ato ilícito e da criminalidade. Nossa ida hoje a Luziânia foi uma ida importante. Fomos um grupo de Senadores, um grupo representativo do Senado, com a sua presença, que relata a CPI da Pedofilia, com a presença do Senador Demóstenes, que é o Presidente.

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Sou o Presidente e ele é o Relator.

O Sr. Renato Casagrande (Bloco/PSB - ES) - Então, o inverso: V. Exª é o Presidente, ele é o Relator. Fomos com a presença da Senadora Lúcia Vânia, que é do Estado de Goiás, com diversos outros Senadores; os Senadores Romeu Tuma, Cristovam Buarque, José Nery estiveram presentes.

É um episódio que nos deixa preocupados porque os jovens, os adolescentes, as crianças desapareceram sem deixar nenhum vestígio, nenhuma violência, nada que pudesse caracterizar um ato de violência direto: ninguém levou uma bolsa de roupa, ninguém levou um celular, ninguém saiu, parece, voluntariamente de casa, ninguém fugiu de casa para viver uma vida, para ter um namoro...

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Parece coisa do outro mundo.

O Sr. Renato Casagrande (Bloco/PSB - ES) - É, mas a Polícia Civil de Goiás está em uma linha de investigação importante.

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Claro.

O Sr. Renato Casagrande (Bloco/PSB - ES) - Senti consistência no trabalho da Polícia Civil de Goiás, do Secretário de Segurança, do Delegado Chefe, do Delegado Regional, da equipe de investigação, da equipe de inteligência. A nossa presença foi no sentido de apoiar o trabalho e também de levar o Senado a conhecer a realidade e o sofrimento daquelas famílias que estão lá. Acho que foi uma iniciativa importante que tomamos hoje, provocados por V.Exª, pelo Senador Demóstenes, pelo Senador Cristovam na data de ontem. Fomos lá e cumprimos o nosso papel de representantes da população brasileira. Obrigado, Senador Magno Malta.

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Eu é que agradeço a V. Exª. Eu gostaria de contar com V. Exª em outras investidas da CPI. Fiquei muito honrado hoje com o quórum qualificado que estava lá, Senador Romeu Tuma.

Nós ainda temos algumas batalhas muito bravas até o dia 03 de maio a serem enfrentadas na CPI da Pedofilia. Eu quero contar não somente com os membros da CPI da Pedofilia, mas com Senadores que dela não fazem parte, mas que também são da causa da vida, que lutam pela causa da vida, que se interessam pela causa da vida.

Estou formatando um projeto do qual darei entrada amanhã, Senador Renato Casagrande. Eu o considero muito importante. Na semana passada, o cidadão assassinou a ex-esposa dentro do salão de cabeleireiro. Eu até entrei para comentar aquele crime, não sei se o Senador Tuma viu.

O sujeito tinha ordem judicial. Não é que a Polícia não agiu. Ela foi duas vezes na delegacia e, com base na lei Maria da Penha, o sujeito recebeu ordem judicial de não se aproximar dela a menos de 300 ou 500 metros.

Ele desobedeceu a ordem judicial. Ela colocou câmera no salão. Ele entrou, sendo filmado, deu sete tiros nela. Aliás, está essa prática agora de dar tiro. Eu estava ouvindo agora, vendo o Datena na televisão: uma outra mulher assassinada, um serial killer em Belo Horizonte. Quatro mulheres já foram encontradas, com o mesmo porte físico:

morenas, empresárias, estupradas, e o sêmen é do mesmo indivíduo. Quatro encontradas já. Quer dizer, essa coisa contra a mulher.

Então, o seguinte: a minha proposta é porque o cara, no Brasil, quando mata, com esse Código de Processo Penal, como V. Exª falou, que está mais a serviço do crime do que a serviço do cidadão, quando ele mata, ganha um prêmio. O advogado dá uma entrevista e diz: "Não, mas ele é réu primário." Quer dizer, aí ele já vai ser premiado por ter dado sete tiros na cara da mulher. Ele fugiu. Ele é réu primário e ele fugiu, ele não foi pego em flagrante. Mais um presente que ele ganha: pelo fato de ele ter sumido, ele já tem benefícios com isso.

A minha proposta. Ele foi pego em uma câmera. Todo indivíduo que cometer crime e for pego em videomonitoramento no cometimento do crime, o videomonitoramento serve como flagrante. Ele pode fugir, mas não está livre do flagrante.

(Interrupção do som.)

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Ele poderá fugir, Senadora Lúcia Vânia, mas não estará livre do flagrante. O cara entrou, deu sete tiros na mulher, e está livre do flagrante, porque ele fugiu, e é réu primário. Aquele vídeo certamente será o flagrante dele.

Então, eu protocolo esse projeto amanhã, sabedor do que esta Casa certamente vai fazer. O videomonitoramento, por exemplo, no meu Estado, diminuiu em 84% a violência da praia. O crime na praia caiu 84%. Vai ter uma matéria domingo, no Fantástico, sobre isso. O Prefeito Neucimar Fraga monitorou a praia inteira, numa iniciativa do Ledir Porto. Anteontem, pegaram um pedófilo na praia.

Quando disseram "o pedófilo está abusando de uma criança", as câmeras pegaram uma correria de duas mil pessoas tentando linchar o indivíduo. É verdade que ninguém pede que ninguém mate ninguém; só quem deu a vida pode tirar; ninguém tem o direito de matar ninguém. Mas vejam como é importante. O que aconteceu vai inibir que outros façam a mesma coisa. Então, eu estou protocolando esse projeto amanhã para que nós impeçamos isso.

Encerro o meu pronunciamento, Sr. Presidente, dizendo que também protocolei na CDH, hoje, juntamente com o Senador Paim, Senador Cristovam, pedido de uma sessão na Comissão de Direitos Humanos com a presença do Cônsul do Haiti, com as famílias brasileiras que se inscreveram no Consulado para adotar crianças haitianas órfãs e mutiladas e organizações que tratam da questão da adoção no Brasil, porque certamente essa será uma grande colaboração quando o Consulado do Haiti começar a abrir e fazer exame para que famílias brasileiras e do mundo inteiro possam adotar essas crianças órfãs. Serão muito bem-vindas no Brasil, e uma audiência pública dessa natureza certamente fará bem a todos nós.

Senador Tuma, V.Exª permite apenas que o Senador Cristovam possa fazer um aparte?

O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Permita-me só um minuto.

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - À vontade, Senador.

O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Só para lembrar, confirmar, da nossa ida, liderada pelo senhor, a Luziânia.

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Provocado por V.Exª ontem.

O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - É verdade. Eu o provoquei aqui, mas foi sua a liderança, junto com o Senador Tuma, que aqui estava, e a Senadora Lúcia Vânia. E nós tivemos a possibilidade de conversar com a direção da Polícia, com o Secretário de Segurança, que nos mostraram os caminhos que estão seguindo para resolvermos essa tragédia inacreditável de seis crianças - cinco e mais um adulto, mas de dezenove anos apenas - desaparecidos nessa cidade de Goiás, a 80km de Brasília.

Eu quero dizer que fui testemunha de sua posição firme e da necessidade de seguir a investigação de que uma das causas pode ter sido a pedofilia organizada no Brasil. Então, eu tive o prazer - ruim de dizer, porque o fato em si é muito triste -, tive a satisfação de estarmos presentes nessa luta. E que, o mais rápido possível, a Polícia de Goiás identifique a causa e os responsáveis por essa tragédia e localize essas crianças. Nós esperamos que todas elas, vivas, possam voltar ao seio de cada uma das suas famílias.

O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Obrigado.

Senador Tuma, queria chamar a atenção de V. Exª, queria que V. Exª me desse só um minuto, porque V. Exª é de São Paulo, onde estão os aeroportos mais importantes do Brasil, e Senador Cristovam, porque o Nordeste se espalha por aqui, tudo vem para Brasília. Daqui os voos vão para o Nordeste, vão para outros Estados do Brasil.

Senador Claudino, Senador Wellington, eu já levantei tudo de que eu precisava e começo, a partir de amanhã, a grande cruzada que eu prometi antes de o recesso começar.

Eu gostaria de identificar quem é que autoriza a prática dos preços abusivos nos aeroportos. Um refrigerante no aeroporto é de ouro. Uma coxinha no aeroporto custa R$5,00. Um chiclete no aeroporto custa R$2,00. Um cafezinho no aeroporto custa R$5,00. Hoje a passagem de avião está quase o mesmo preço da passagem de ônibus, Senador Raupp. Uma pessoa que vem fazer um tratamento, uma pessoa pobre que ganha uma passagem e, se ela ganha uma passagem que dá essas voltas no Brasil, ela não tem direito a se alimentar, porque, se ela tiver R$10,00, faz o primeiro lanche, come uma coxinha e toma um refrigerante e acabou.

Ora, se nós temos um código do consumidor no Brasil, por que esses preços abusivos e quem autoriza esse preços abusivos? Parece que nós nos acostumamos a isso. É como se as pessoas que viajam de avião e que circulam nos aeroportos são pessoas que esbanjam dinheiro, são pessoas ricas e que podem pagar R$5,00 em um cafezinho, Senador Raupp - R$5,00! E R$2,00 em um chiclete. E eu preciso saber quem é que autoriza esses preços abusivos, se é a Infraero, quem é o interessado nisso, por que ninguém nunca reagiu... Por que a minha reação? Eu sempre achei isso um abuso mesmo. Sempre achei um abuso.

Mas viajava do meu Estado para cá um casal de velhinhos. Ele tinha R$8,00, e foi na tentativa de comprar um lanche para ele e para ela. Não deu a metade do que ele estava pensando em pedir para ele. E ele estava na minha frente e falou: "Moça, eu só tenho R$8,00, não consigo. Muito obrigado. Então, os meus R$8,00 dão para quê?" Ela disse: "Dá, dá para um café e um pão de queijo."

Oito reais! Com R$8,00, compram-se dois quilos de carne de segunda. Isso praticado em qualquer lugar fora do aeroporto os fiscais já chegariam para detonar. Eu não falo nem em bebida alcoólica porque eu não bebo, mas já mandei levantar os preços também. Esses preços é que devem ser de ouro mesmo.

Então, inicio a minha cruzada com uma documentação em defesa do consumidor dos aeroportos. E recebi uma comissão que faz uma denúncia também das rodoviárias. Quem autoriza a prática do preço abusivo? Quem ganha com isso? Quem está se beneficiando com isso? E fico me perguntando por que até hoje não reagimos a esse abuso? É um abuso! Falando em aeroporto, Senador Raupp, a operação da Polícia Federal detectou o desvio de R$61 milhões do consórcio para a construção do aeroporto do Estado do Espírito Santo. O aeroporto do nosso Estado parece uma rodoviária ruim, malcuidada, do Município mais malcuidado do País. O aeroporto não reflete a pujança do povo, a pujança do Estado, a beleza do Estado. Quando se resolve fazer um novo, a Infraero não fiscaliza um consórcio, que desviou R$61 milhões. É preciso que nós, da bancada do Espírito Santo, tenhamos uma reação muito forte. É preciso que tenhamos e vamos ter, sim, em nome do povo do Estado do Espírito Santo. Portanto, convido-os a entrar nessa cruzada comigo, a dos usuários de aeroportos, Senador Cristovam Buarque e Senador Romeu Tuma, porque não há como se entender um abuso tamanho, desnecessário. E o mais importante é saber quem está autorizando prática tão abusiva e quem está ganhando com isso, porque alguém está ganhando muito! Para que eles façam isso de forma ilesa, alguém está autorizando.

Quero ouvir também os Procons estaduais, o Ministério da Justiça e a Infraero. Quero saber por que os Procons nunca tomaram qualquer tipo de atitude que pudesse coibir esse vandalismo - eu chamo de vandalismo - em cima do consumidor, que usa lanchonetes, restaurantes... Uma água custar R$5,00 é uma brincadeira, Senador Tuma! É uma piada de mau gosto! É preciso que todos nós que temos um pouco de bom senso e sabemos que a passagem hoje equivale a uma passagem de ônibus, um pouco mais tão-somente - e as pessoas estão viajando de avião -, defendamos os interesses das pessoas, porque, hoje, ricos, pobres, pessoas simples, abastadas ou não, viajam de avião.

E não é só defendendo o simples, não, porque também aquele que tem, o rico, também não pode ser esfolado no abuso daquele que tem os seus interesses. Ora, se o preço do refrigerante, na lanchonete, fora da rodoviária, do outro lado da avenida, é R$1,50, por que lá dentro é R$5,00, R$6,00? Então, eu vou encabeçar essa briga, até porque adoro briga ruim.

Obrigado, Sr. Presidente.



Fonte: Agência Senado
   




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